Archive for the ‘Cinema Nacional’ Category
Posted on outubro 31, 2009 - by Geórgia Honório
Documentário sobre família Gracie expõe raízes do vale-tudo
Em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “Os Gracies e o nascimento do vale-tudo” conta como o jiu-jitsu chegou ao Brasil, por meio da mais famosa e tradicional família de lutadores do mundo. E resgata, com isso, também as origens do vale-tudo.
Dirigido por Victor Cesar Bota, em seu primeiro longa-metragem, o documentário começa mostrando como Carlos Gracie, em 1914, aprendeu a lutar jiu-jitsu, arte marcial até então restrita aos japoneses, utilizada para vencer estrangeiros e por isso mesmo proibida de ser divulgada. Mas como um favor aos Gracies, um imigrante acabou passando os segredos da poderosa luta a Carlos, que deu início a um legado, primeiro no Brasil, e que chegaou a vários países do mundo, inclusive nos Estados Unidos, onde atualmente vários integrantes da família vivem.

Carlos passou as técnicas da luta, assim como sua filosofia, para os irmãos e depois respectivamente para os netos e sobrinhos, criando não apenas uma tradição, mas um exército. Reunindo depoimentos de três gerações da enorme família, “Os Gracies e o nascimento do vale-tudo” tem méritos. Reconta uma história marcada por sucesso e por alguns dramas, inclusive com imagens antigas e de arquivo pessoal, verdadeiras preciosidades –incluindo cenas domésticas de Rolls Gracie, um dos mais respeitados integrantes da família, morto no início dos anos 80, ainda jovem, em um acidente de asa delta.
O filme mostra ainda como, de geração em geração, os integrantes da família Gracie foram transformando o jiu-jitsu japonês, acrescentando a ele ingredientes de outras artes marciais. E criando, como consequência, os primeiros campeonatos de vale-tudo, já que as regras de uma só modalidade esportiva não poderiam ser aplicadas àqueles combates, mistos de várias artes marciais.
E se ao mergulhar no passado da família Gracie o documentário ganha pontos, ele também tem muitas falhas. Falta qualidade, há graves problemas de áudio e alguns de edição. Além disso, o diretor opta por se manter apenas na superfície da história da família, não se aprofundando em sua vida pessoal, suas discórdias e nos tantos problemas que, ao longo dos anos se tornaram notórios. Além disso, o cineasta ouve apenas uma única integrante mulher da família, deixando de lado a perspectiva feminina que em muito poderia enriquecer seu filme.
E, para completar, algo que talvez seja até inevitável: a certa altura do longa, o espectador se perde em tantos filhos, netos e sobrinhos, quase todos com nomes iniciados com a letra R. Carlos acreditava que a letra dava força à pessoa, o que fez com que 90% de seus familiares fossem batizados com nomes semelhantes, causando enorme confusão.
Posted on setembro 24, 2009 - by Geórgia Honório
Festival do Rio vai a Cannes, Veneza e até Woodstock
“Sucesso em Cannes”, “premiado em Berlim”, “aplaudido em Veneza”, “revelação em Sundance”. A partir desta quinta-feira (24), chegou a vez de os cinéfilos brasileiros conferirem o que de melhor se produziu no cinema mundial nos últimos meses. Começa nesta noite o Festival do Rio 2009, uma das principais e maiores mostras do gênero no país que, até o próximo dia 8, exibe em mais de 30 espaços espalhados pelo Rio de Janeiro um total de mais de 300 filmes, entre produções internacionais ainda inéditas por aqui, além de nacionais estreantes.
A largada será dada às 20h30 no Odeon Petrobras em uma sessão apenas para convidados da comédia “Aconteceu em Woodstock”, longa-metragem do diretor Ang Lee (“O segredo de Brokeback mountain”) que tem sua primeira exibição por aqui depois de sua première no Festival de Cannes, em maio, e da estreia nos cinemas norte-americanos em agosto – além desta quinta, haverá outras sessões nos dias 25, 26 e 27 de setembro e 1 e 7 de outubro.

Posted on setembro 11, 2009 - by Geórgia Honório
Reynaldo Gianecchini vai viver rei do tráfico
Será que cola? Reynaldo Gianecchini, que até hoje só viveu personagens bonzinhos, topou interpretar um gerente do tráfico no cinema.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, o galã, que tem cara de bom moço para casar, aparece nas telonas como traficante no dia 9 de outubro, quando estreia Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar.
O filme conta a saga de uma professora que adotou 40 crianças e é baseado em fatos reais.
Posted on agosto 3, 2009 - by Geórgia Honório
‘Elvis e Madona’ conta história de amor entre lésbica e travesti em Copacabana
Um pai abandona a família para se tornar travesti. Anos mais tarde, tenta se reconciliar com os parentes, mas se apaixona pela namorada do filho. O caso mostrado em um programa mexicano, desses no qual convidados lavam a roupa suja em frente a um auditório, inspirou a história do filme “Elvis e Madona”, do diretor Marcelo Laffitte.
O longa tem a atriz Simone Spoladore no papel da lésbica Elvis e o ator Igor Cotrim como o transex Madona. A produção, filmada em 2008, está em fase de tratamento de imagem e deve estrear em novembro de 2010, no Festival de Brasília.

“É uma história de amor muito delicada, com toques de comédia”, define o diretor, que escreveu o roteiro “imediatamente” após assistir o tal programa sensacionalista na TV americana, quando foi lançar o curta “Vox populi” em uma mostra em Miami, há 12 anos. “Foi árduo conseguir verba para as filmagens. Começamos a rodar em 2007, daí acabou o dinheiro, retomamos em 2008″.
Assim como a dificuldade em conseguir patrocínio – o longa custou R$ 1,2 milhões -, Laffitte temia que o enredo de “Elvis e Madonna” afugentasse o público mais conservador. O receio passou após algumas exibições-teste, com diferentes perfis de espectadores. “Logo nos dez primeiros minutos os personagens estão tão bem desenhados, que as pessoas se desligam do fato de que se trata de um travesti e uma lésbica se apaixonando. Eles vão se divertindo com a história, se envolvendo com essa coisa do feminino e do masculino do casal se sobressair conforme as situações”.
Para diminuir o impacto do argumento, Laffitte preferiu deixar os protagonistas longe de ambientes marginalizados, como geralmente são retratados os homossexuais no cinema nacional. Madona é uma cabeleireira que trabalha duro para realizar o sonho de produzir um espetáculo musical com drag queens. Elvis, entregadora de pizza, na verdade quer ser fotógrafa.
Ambos vivem em Copacabana, onde se passa a maioria das cenas. O bairro carioca serviu também de inspiração para a música-tema “I love you, Copacabana”, composta por Laffitte e Gabriel Moura e gravada por Elza Soares especialmente para o filme.
“O encontro da dupla acontece quando Elvis faz um delivery no apartamento de Madona e a vê toda machucada, após levar uma surra. Ali começa a amizade, que mais tarde evolui para um sentimento forte”, explica o cineasta.
Madona com um ‘n’ só
A escolha do nome do casal central não é apenas uma referência a dois grandes ícones do pop. Segundo Laffitte, “Elvis” é uma homenagem a uma amiga de infância chamada Elvira, que jocosamente recebeu o apelido. “Madona é por causa da popstar mesmo, mas a gente preferiu escrever com um ‘n’ só, para evitar problemas jurídicos”.
As associações à rainha do pop aparecem vez ou outra no filme. Igor Cotrim, o ator que dá vida à travesti, fez da música “Who’s that girl?” um bordão da personagem. “Ela sempre diz essa frase quando se olha no espelho e se acha divina!”, brinca Cotrim.
O ator foi o último a ser escolhido para integrar o elenco, que também tem Maitê Proença, José Wilker, Buza Ferraz e Sérgio Bezerra. “O Igor foi o que se saiu melhor no teste, que teve mais química com a Simone”, explica o diretor. “De início meu plano era ter um travesti de verdade no papel de Madona, inclusive fiz testes com alguns na Lapa”.
Alguns destes processos de seleção podem ser vistos no YouTube.
“Quando fiquei sabendo do filme, me depilei e fui com a cara de pau, unha postiça e a coragem para o teste. Nunca fiz cinema, sempre fui ator de teatro”, afirma Cotrim, que na televisão atuou na novela “Mulheres apaixonadas” (2003) e na série “Sandy e Júnior” (1999).
Shows de drag queens e conversas com travestis na Lapa carioca serviram de laboratório, como conta o ator. “Foi lá que aprendi o gestual, a jogada de quadril, como mexer o cabelão, de misturar um monte de gírias com termos do candomblé”, enumera. “Meu papel é o da ‘mulherzinha’ do romance, principalmente nas cenas mais quentes, quando Elvis vem para cima, querendo comer a Madona”, debocha.
Simone Spoladore, segundo define o diretor, foi orientada a ser uma “lésbica gatinha”. “Claro que em alguns momentos ela tem uma expressão corporal mais dura. Mas a gente não queria que fosse uma mulher masculinizada. Ela faz uma lésbica gatinha, com momentos delicados”, diz Laffitte.
A mesma preocupação teve a atriz. “Não queria que ficasse uma coisa estereotipada. Fui a boates gays observar as meninas, observei algumas à minha volta”, conta.
Para Simone, “Elvis e Madona” está longe de ser polêmico e deverá agradar o público. “É um filme muito simpático, com situações de humor. Tem todos os elementos de uma comédia romântica, apesar de o casal ser meio torto”.
Posted on agosto 3, 2009 - by Geórgia Honório
‘Divã’ dá a largada em festival de cinema brasileiro em NY
Um dos filmes brasileiros mais vistos no ano,“Divã” abre nesta segunda-feira (3) a programação do Cine Fest Petrobrás Brasil-NY, evento que apresenta seleção de longas e curtas nacionais no Tribeca Cinemas, em Nova York. Protagonizado por Lilia Cabral e dirigido por José Alarenga Jr., o filme conta a história de uma quarentona que decide frequenter a terapia.
A programação deste primeiro dia inclui ainda “Romance”, longa de Guel Arraes, com Wagner Moura e Letícia Sabatella, baseado na lenda de Tristão e Isolda. Na sequência, entram em cartaz “Budapeste”, filme de Walter Carvalho baseado no livro homônimo de Chico Buarque, e “A erva do rato”, mais recente produção de Julio Bressane, com Alessandra Negrini e Selton Mello.

No quesito documentários, o elogiado “Loki – Arnaldo Baptista”, sobre o fundador dos Mutantes, encerra a noite, acompanhado ainda de “Fumando espero”, assinado por Adriana Dutra.
A abertura do Cine Fest Petrobras Brasil-NY aconteceu no domingo (2), no Central Park, com show de Silvia Machete e a exibição do filme “Se eu fosse você 2”.
O festival de cinema brasileiro reúne, neste ano, alguns dos maiores hits da produção nacional recente. Com 15 longas, 13 deles em competição, a mostra ainda tem como destaque o inédito “Hotxuá”, no qual Letícia Sabatella assina a direção ao lado de Gringo Cardia.
Posted on julho 28, 2009 - by Geórgia Honório
Cine Ceará começa nesta terça com homenagem a Che Guevara
A 19ª edição do Cine Ceará, que começa nesta terça-feira (28) em Fortaleza, faz uma homenagem à cultuada figura de Che Guevara, mostrando a força que o guerrilheiro ainda exerce sobre o imaginário do cinema contemporâneo.
O evento, que vai dedicar a Che uma mostra de 13 filmes, será aberto com a pré-estreia de “Che – Guerrilha”, a segunda parte da saga dirigida por Steven Soderbergh. Estrelado por Benicio Del Toro e com Rodrigo Santoro no elenco, o filme só deve entrar em cartaz nos cinemas do Brasil em 18 de setembro.
A mostra Che – Olhares do tempo ainda vai exibir o documentário “Personal Che”, Douglas Duarte, “Mi hijo el Che”, de Fernando Birri, “El día que me quieras”, de Luis Carlos Gutierrez, “Carabina M2 – uma arma americana”, de Carlos Pronzato, e outros.
Para debater o ícone Che Guevara, o festival vai contar com a presença de Luis Carlos Gutierrez, o dentista conhecido como Fisín, hoje com 90 anos, que alterou o rosto de Che para as guerrilhas no Congo e na Bolívia. Juntam-se a ele o diretor Douglas Duarte, diretor de “Personal Che”, Héctor Cruz, cineasta de “Kordavision” (2005), e o veterano do cinema argentino Fernando Birri, de “Mi hijo el Che” (1985).
No 19º ano de vida do Cine Ceará, quatro longas-metragens brasileiros disputam o principal prêmio do evento, escolhido por júri próprio. O destaque fica por conta do documentário inédito “Pequeno burguês – Filosofia de vida”, dirigido por Edu Mansur, que faz um perfil do sambista Martinho da Vila.
Também concorrem “À deriva”, de Heitor Dhalia, com Deborah Bloch e Vincent Cassel, “Se nada mais der certo”, de José Eduardo Belmonte, com Cauã Reymond, e outro documentário, “O homem que engarrafava nuvens”, de Lírio Ferreira (de “Árido movie”). O vencedor leva um prêmio de R$ 10 mil.
Há ainda a competição de longas ibero-americanos, que inclui o documentário argentino “Haroldo Conti – Homo Viator”, de Miguel Mato, e as ficções “Coração do tempo”, do mexicano Alberto Cortés, “Os deuses quebrados”, do cubano Ernesto Daranas, e “O prêmio”, do peruano Alberto Chicho Durant. Além disso, 15 curtas de diversas regiões do Brasil serão exibidos em mostra específica.
Posted on julho 24, 2009 - by Geórgia Honório
Rota comando
Depois do estrondo causado por “Tropa de elite”, a polícia de São Paulo vira alvo de polêmica com o recém-lançado “Rota comando”, produzido apenas em DVD. Dirigido por Elias Junior, estreante em longas-metragens, o filme procura fazer um retrato da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), grupo de elite da Polícia Militar.
Foi todo calcado no livro “Matar ou morrer”, do ex-capitão da Rota e deputado estadual Conte Lopes –obra-resposta ao livro do jornalista Caco Barcellos, “Rota 66 – A polícia que mata”, que denunciava histórias de extermínio por parte dos policiais.
Posted on julho 24, 2009 - by Geórgia Honório
Concerto com trilha de ‘Star Wars’ terá turnê mundial
A trilha sonora de “Star Wars” vai atingir diversos cantos do planeta em forma de concerto. Uma orquestra sinfônica e um coro vão unir forças no show “Star Wars in Concert”, que terá turnê mundia, anunciada nesta quinta-feira (23).
O concerto traz músicas do compositor John Williams dos seis longas-metragens da série, sincronizadas com cenas dos filmes, projetadas em uma megatela da altura de um prédio de três andares. O ator britânico Anthony Daniels, que interpretou o robô C3PO, faz a narração das imagens.
Os organizadores planejam levar o concerto a cidades americanas antes de embarcar para outros países. A turnê de “Star Wars in Concert” será aberta no dia 1º de outubro, no Honda Center em Anaheim, na Califórnia.
Depois, o show segue para Phoenix, Los Angeles, Sacramento, San Jose, Seattle, Portland, Tulsa, Oklahoma City e outras. A programação completa ainda não foi divulgada.
Posted on julho 16, 2009 - by Geórgia Honório
‘Cocoricó’ chega ao cinema com ‘As aventuras na cidade’
Um dos programas infantis mais premiados e de qualidade da televisão brasileira, “Cocoricó”, desembarca nos cinemas com o filme “Cine Cocoricó: As aventuras na cidade”, que reúne cinco episódios inéditos da nova temporada, que deve ser lançada em DVD em setembro.
No mês seguinte, será exibido no canal a cabo TV Rá Tim Bum e, em 2010, na TV Cultura.
Os cinco episódios mostram um grupo de personagens da fazenda que vai passar as férias na cidade grande, na casa dos tios Noel e Dora, junto com os primos João e Rodolfo. A bagunça começa quando chegam à Estação da Luz, e Júlio, a galinha Zazá e o cavalo Alípio descobrem que a galinha Lilica também veio para a capital escondida dentro de uma mala.
Depois de muitas broncas, acabam se instalando no prédio da família, onde conhecem o simpático porteiro Dorival e a menina Vitória, por quem Júlio se apaixona, o que causa ciúmes na sua amiga, a indiazinha Oriba, que não veio para a cidade.
Para manter contato com o pessoal da fazenda, como os avós, o porquinho Astolfo e a galinha Lola, Júlio e sua turma contam com a ajuda do primo João, todo moderninho e conectado, que lhes empresta o seu computador. Assim, todos podem conversar pela Internet.
Na cidade, o pessoal da fazenda terá novas experiências, além de descobrir gírias que João vive usando, como “padoca”, para padaria, e “apê”, para apartamento. As novidades não param de surpreender e Júlio tem diversas oportunidades de usar seu bordão: “Puxa, puxa, que puxa!”
Mas, para matar as saudades do campo, Júlio recebe um pacote com as famosas goiabinhas da Vó, que agora também são vendidas no Mercadão, em São Paulo. O Vô também faz uma rápida passagem pela cidade, quando leva os netos para ver um disputado jogo de futebol que pode causar uma briga entre os primos.
O filme é pontuado por diálogos entre o cachorro Esfarrapado e o rato Roto, enquanto esperam o semáforo fechar para atravessar a rua. As músicas que acompanham as aventuras usam ritmos típicos da cultura brasileira, como o samba (à Adoniran Barbosa) ou embolada, durante a partida de futebol, na qual Júlio e João são rivais por torcerem para times adversários, o Cocoricó e o Avenida.
A direção é de Fernando Gomes, também criador do programa, em 1996, e responsável pelas vozes de Júlio e do Vô. As dublagens no cinema mantêm as vozes da televisão, como Magda Crudelli (Lilica), Hugo Picchi (Alípio e Astolfo), Eduardo Alves (João e Lola) e Álvaro Petersen (Vó e Oriba).
Como o programa de televisão, “Cine Cocoricó: As Aventuras na Cidade” é voltado para o público infantil, entre 3 e 10 anos de idade, e tem uma preocupação educativa, sempre muito bem integrada à trama.
Posted on julho 4, 2009 - by Geórgia Honório
Documentário dos Mamonas Assassinas vai dar origem a um filme de ficção
Treze anos depois do trágico acidente de avião que deu fim à curta carreira dos Mamonas Assassinas, a história de uma das bandas mais populares do Brasil deve levar muitos fãs aos cinemas. Pela menos essa é a aposta do diretor Cláudio Kahns – de “Feliz ano velho” (1987) e “A marvada carne” (1985) – que, diante do vasto material pesquisado sobre o quinteto de Guarulhos, decidiu recontar a trajetória do grupo no documentário “Mamonas, o doc”.
O longa, cuja pré-estreia será neste sábado (4) na cidade natal dos músicos para um público estimado em oito mil pessoas (no dia 11 de julho, o documentário será exibido no festival de Paulínia; ainda não há previsão de estreia no circuito), deve dar origem ainda a um filme de ficção, com lançamento previsto para 2010.
“Os Mamonas Assassinas não eram uma banda artificial, fabricada. Quando percebi que a molecagem e a irreverência dos meninos eram verdadeiras, fiquei surpreso”, comenta o diretor, que passou três anos reunindo depoimentos de amigos e familiares dos músicos, além de imagens de arquivo, a pedido de uma cineasta. “Na hora de organizar o que tínhamos em mãos para começar a escrever o roteiro da ficção, decidimos aproveitar para montar um documentário.”
Segundo Kahns, o costume dos integrantes de registrar uns aos outros em vídeo em diversas situações ajudou na composição do filme, e isso de fato acaba funcionando como um diferencial. Seja tentando fazer um videoclipe na época em que ainda eram chamados de Utopia e vendiam apenas 100 cópias de LPs para os amigos, ou indo para Los Angeles finalizar o álbum de estreia dos Mamonas em 1995, eles conseguiam comprovar que eram mesmo bons de piada.
Em ordem cronológica, o filme mostra como o vocalista Dinho, acompanhado de Bento (guitarra), Julio Rasec (teclados) e os irmãos Samuel (baixo) e Sérgio Reoli (bateria) deixaram para trás a melancolia dos anos 80 de sua antiga e totalmente desconhecida banda para se tornar um fenômeno pop responsável por vender cerca de dois milhões de discos graças a sucessos como “Pelados em Santos”, “Vira-vira” e “Robocop gay”.
Se o material inédito deve satisfazer a curiosidade dos fãs, este é ao mesmo tempo um dos pecados do filme. Em alguns momentos, a baixa qualidade das imagens compromete o resultado. O mesmo acontece com alguns entrevistados, como o produtor Rick Bonadio. Não há dúvida quanto a importância dele para o “estouro” dos Mamonas Assassinas – já que foi um dos responsáveis por ajudar a lapidar a sonoridade “roqueira brega” e a performance escrachada do grupo – mas seus depoimentos podem se tornar cansativos. Os deslizes, porém, não tiram a graça dessa história – que mais se parece com uma revista em quadrinhos do que com a vida real.
Pré-estreia de “Mamonas, o Doc”
Quando: sábado (4), a partir das 17h (show) e 19h (projeção)
Onde: Ginásio Thomeozão, Av. João Bernardes Medeiros, s/n, Guarulhos
Quanto: um agasalho doado vale um ingresso















